domingo, 6 de março de 2016

O QUARTO DE JACK (ROOM, Canadá/Irlanda, 2015)


O QUARTO DE JACK (ROOM, Canadá/Irlanda, 2015)

Resenha abaixo não contem spoilers do filme.

Filme: IMDB - Rotten Tomatoes

Não muito divulgado por aqui, O Quarto de Jack ganhou mais destaque quando foi indicado ao Oscar de melhor filme, sendo a surpresa da vez, por se tratar de um filme independente, indie, simples, mas com um potencial maravilhoso, e eu diria que é junto com Spotlight a minha aposta de melhor filme (e acabei acertando!!). 


Sim, sou do contra talvez, mas o Regresso está tendo um marketing sensacional e as pessoas estão comprando isso, afinal os marketeiros estão dando um dobrado e as pessoas comprando a ideia, parabéns pessoal do marketing!! O diretor falou em diversos meios sobre a dificuldade de filma-lo e blá blá blá, filme bom de verdade se faz, não precisa ficar falando demais, fica chato e cansativo. Além de que, para mim, O Regresso é um filme belíssimo grandioso, maaaas com uma história bem meia boca, pronto, falei!!! Vamos falar de Quarto de Jack que é um filme lindo, cativante e emocionante e lindo, já falei lindo?? LINDOOOOOOOO!!!!

O filme já começa num quarto de pouco mais de 10m2, onde conhecemos Jack, um menino de 5 anos (o fofo Jacob Tremblay) e sua mãe Joy (a excelente Brie Larson), que ele chama carinhosamente de Ma. Para Jack o mundo se resume ao quarto,  a tv é um mundo fictício e o céu somente é visto do alto através de claraboia. Existem apenas Ma e o homem que a visita e traz alguns itens de sobrevivência. E assim Jack vive desde que nasceu com Ma lhe ensinando tudo e fazendo com que ele se sinta bem apenas naquele quarto que é a sua vida e os dois interagem muito bem dessa forma, porém Jack começa a fazer algumas perguntas pedir coisas que teoricamente são impossíveis para Joy a deixando profundamente incomodada com aquela situação e fazendo com que ela comece a pensar em fugir do seu cativeiro de 7 anos. Sim senhores e isso não é spoiler porque está no trailer e não é foco do filme. Joy foi sequestrada aos 17 anos e seu sequestrador a engravidou, mantendo os dois no quarto todo o tempo. Joy toma uma atitude surpreendente e consegue com a ajuda de Jack (essa parte não vou dizer como foi pra não estragar o andamento da trama) ser resgatada.


E começa a segunda parte do filme que é a adaptação de Joy e Jack ao "mundo real" e aqui temos as melhores interpretações que eu já vi, com muita dor, muitas surpresas, é uma parte densa mas que não deixa em momento nenhum o filme pesado. Jack que achava que apenas existia o quarto se vê num mundo gigantesco e muitas vezes não sabe o que fazer, se recusando a certas coisas como sair, brincar e interagir e o mocinho Jacob faz isso de maneira tão competente e sensível que parece mesmo que ele estava preso num quarto. A volta de Joy também não é nada fácil após 7 anos de cativeiro, onde muitas vezes se questiona se fez o certo, se suas escolhas valeram a pena. A mocinha Larson também dá um show apenas com olhares e expressões que passam todo o sofrimento sem dizer uma palavra sequer. A primeira parte do filme é tensa, os dois no quarto, as vezes com a presença do sequestrador, a parte da fuga é simplesmente FENOMENAL e agoniante, ao vermos Jack pela primeira vez fora do quarto com todo seu medo, toda sua tensão e a terceira é a parte mais dramática que é toda focada nas interpretações.


O Quarto de Jack foi um dos melhores filmes que vi nesse começo de ano, emocionante até o ultimo minuto, com uma historia complexa que foi contada de forma sutil e bem delicada, arrancando lagrimas até dos mais durões. São 158 minutos de filme, que eu não senti de forma nenhuma passar, jurava ter pouco mais de 90 minutos de tão fluido que o filme é. É simplesmente fantástico como um todo. Pode não ser aquele filme com cenas grandiosas, uma reviravolta mirabolante, se tratando de um filme linear e muito bem construído com interpretações maravilhosas. Eu me apaixonei pelo filme e por Jacob Tremblay que é um garotinho que tem futuro (vamos torcer que não se perca no meio do caminho). Uma dos filmes mais sensíveis desse mês, e sim eu vi A Garota Dinamarquesa que também é sensível, mas o Quarto de Jack ganhou meu coração de melão. Assistam e se deliciem com essa história que trata muito bem as relações humanas e traumas!!!
P.S.: Levem um lencinho, discreto, mas levem, não custa nada!!!! :)


Resenha feita por: Amanda Oliveira

Obs.: Prefiro não notificar o livro, pois eu não tenho a capacidade de enumerar de 0 a 10 o quão ele pode ser ruim ou não. Prefiro deixar você descobrir. E se por ventura houver erro de português, não deixa de me avisar, sou humano e vou errar! (Essa observação irá em todas as resenhas)
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Um comentário:

  1. Bom, Amanda, já que você, como a Glória Pires, não avalia o livro, posso deixar aqui a dica de um velho que, como tradutor e revisor de textos, já folheou muitas páginas. Mas confesso que nunca li umas palavras tão simplórias e magnificamente colocadas em páginas em branco, como as de "Quarto". Li o livro algumas vezes, e não satisfeito li o seu original, que é sutilmente ainda melhor. Nunca em minha curta vida fui tocado tão profundamente em minha alma nos lugares em que essa criança conseguiu alcançar. É uma leitura que permanece com você dias depois, semanas, e ainda ecoa em mim, como se ainda pudesse ouvir o Jack dizendo, do alto de sua sabedoria de cinco anos, que "monstros são grandes demais pra existir". Um abraço, e boa leitura, espero.

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Sobre Nós

Sobre Higor e Juliana: Casal geek, cinéfilos, leitores compulsivos. Amantes de um bom seriado e perdidamente apaixonados pelo mundo da literatura.