sexta-feira, 16 de junho de 2017

[Crítca] Tudo e todas as coisas


Tudo e todas as coisas - Everything, Everything
Direção: Stella Meghie
Roteiro: J. Mills Goodloe
Elenco: Amanda Stenberg, Nick Robinson, Anika Noni Rose...


Sinopse:

Madeline Whittier, a Maddy, cresceu em um mundo branco. Apenas as lombadas dos livros que lê colorem o seu ambiente, e também lhe permitem viver a vida, mesmo que através da imaginação, já que a sua condição de saúde não lhe permite fazê-lo da maneira como ela gostaria. Ela foi diagnosticada com Imunodeficiência Combinada Grave (IDCG), mais comumente conhecida como "doença da criança na bolha", uma doença rara em que o sistema imune da pessoa que a possui é bastante comprometido, tornando-a extremamente susceptível à infecções que podem causar a sua morte. Dessa maneira, tudo ao redor de Madeline é controlado, desde o que ela come, as pessoas com que ela tem contato (que são apenas a sua mãe e a Carla, enfermeira que cuida dela desde sempre) até o ar que ela respira e, assim, ela vive hermeticamente fechada em uma casa vendo a vida passar através da janela. Ou seja, ela vive em uma bolha.
            Ela já estava acostumada com a sua vida, de checagens diárias do seu estado de saúde, leituras e publicações de resenhas, jogos com a mãe e montagem de maquetes de Arquitetura; até o dia em que mais uma família se muda para a casa ao lado da sua e ela conhece Oliver, o Olly.  Ambos começam a acompanhar a rotina um do outro pela janela e a interagir. Inicialmente com acenos e sorrisos, e depois com conversas pelo celular e computador. O curioso é como essa pequena ligação começa a despertar um lado de Maddy que quer arriscar, conhecer o que tem no mundo, mesmo que isso signifique a morte. Ela quer se sentir viva. A partir dessa aproximação algo mais acontece e os dois começam a sentir mais necessidade de se falar e se aproximar; mas como isso seria possível se Olly pertencia ao mundo fora da bolha? Assim, o sentimento que nasce da relação dos dois faz com que a Maddy comece a questionar como ela quer viver. Não apenas sobreviver.

Crítica


Abordando a premissa de uma história de amor impossível, este filme, baseado no livro de mesmo nome, da autora Nicola Yoon (Novo Conceito, 2016), traz questionamentos sobre riscos, coragem e amor.
            Primeiramente o que chama a atenção é o jovem casal protagonista, interpretados pela Amanda Stenberg, a tão tocante Rue de Jogos Vorazes, e o Rick Robinson, o irmão mais velho rabugento de Jurassic World. Foi legal ver o amadurecimento destes dois, passando de papéis de crianças para interpretar um casal teen, com direito a cenas românticas e até sensuais no filme. A química dos dois emocionou, principalmente nas cenas em que eles tinham que transmitir emoções apenas através de olhares. Foi bom também ver representado na telona um romance entre um casal inter-racial, fato que não foi abordado na trama, e que foi um ponto positivo, pois as relações devem acontecer de acordo com o interesse de duas pessoas entre si, sem que as diferenças de cor (e do que mais for) sejam um ponto de conflito. Natural, sem tabus.
            Maddy e Olly funcionam bem como um casal, pois se complementam. Ele traz a rebeldia do adolescente que está testando os seus limites para ela, fazendo com que ela também teste os seus. E, assim, os dois acabam influenciando na vida um do outro, trazendo a mudança à ambos. E a metáfora que mostra esta transformação, trazida no livro e muito bem abordada no filme são as cores das roupas das personagens. Antes de conhecer Olly a Maddy veste apenas roupas brancas, trazendo um ar de esterilidade e limpeza; depois, passa a usar investir nas cores, primeiramente tons pastéis e depois cores mais vivas. E também Oliver, o qual só usava roupas pretas, muda suas escolhas de roupa para tons mais claros após conhecer a Madeline.
            No entanto, um ponto negativo no filme é o fato de que a personagem dela é bem mais desenvolvida, mostrando como são suas relações com todas as pessoas com quem ela tem contato e, por outro lado, a história dele não é aprofundada. Olly é representado principalmente como um galã apaixonado e perfeito que vem "salvar" a Maddy, mas a sua relação com a sua família, principalmente com seu pai, é pincelada, mas não é muito trabalhada no filme, como é no livro. Senti falta de ver um pouco mais do Olly, que, apesar de ser mostrado no livro sob a perspectiva da Maddy, é mais presente na obra escrita.
            A história escrita por Nicola é muito fofa, é o que se destaca bastante no livro são as ilustrações que ajudam o leitor a compreender melhor o mundo pelos olhos da Maddy. Estas não foram bem trabalhadas no filme, inseridas de uma forma que podem passar despercebidas ao olhar daqueles que não leram o livro. Contudo, a diretora trouxe uma ideia que deu uma nova perspectiva aos diálogos online entre o casal protagonista. Ao invés das mensagens destes aparecerem na tela em escrito, suas conversas ocorrem como se eles estivessem cara-a-cara, dentro das maquetes montadas pela Maddy, como se ambos estivesse dentro da realidade dela. Além disso, aparece neste universo também o astronauta que ela sempre coloca em seus projetos, o qual pode ser interpretado como uma representação da Maddy que, apesar de estar inserida no mundo, se encontra a par deste; como o astronauta que, em seu traje completo, é colocado em ambientes como lanchonetes e livrarias, aos quais ele não se encaixa. Este toque foi muito especial no filme.
            Tudo e Todas as Coisas é uma história leve de um amor adolescente, mas que, nas entrelinhas, aborda pontos extremamente complicados da vida. A trama idealizada pela Nicola não é uma das mais surpreendentes, com alguns clichês, mas é muito fofa e que nos leva à reflexão sobre a nossa condição de liberdade, como a aproveitamos. Apesar de algumas diferenças entre o livro e o filme, a essência da história de Maddy e Olly se encontra ali, de forma leve, doce e divertida. Uma boa pedida para aqueles que gostam de torcer e se emocionar com histórias de romance cheia de obstáculos. 


"Olho ao redor para o meu sofá branco e as prateleiras brancas, minhas paredes brancas, tudo tão seguro, familiar e imutável.
Penso no Olly, com frio por causa da descontaminação e à minha espera. Ele é o oposto de todas essas coisas. Ele está em movimento constante.
Ele é o maior risco que eu já encarei."


CRITICA FEITA POR: JADE MIRANDA E VIRGINIA SANTIAGO

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