quarta-feira, 26 de julho de 2017

[Crítica] Dunkirk (Dunkirk, UK | Netherlands | France | USA. 2017)

Dunkirk
Direção: Christopher Nolan
Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Harry Stiles, Tom Hardy, Cillian Murphy, Mark Rylance


Sinopse

Na Operação Dínamo, mais conhecida como a Evacuação de Dunquerque, soldados aliados da Bélgica, do Império Britânico e da França são rodeados pelo exército alemão e devem ser evacuados durante uma feroz batalha no inicio da Segunda Guerra Mundial








Crítica

Não é arriscado dizer que Dunkirk é uma experiência diferente de tudo quanto já foi visto em seu gênero. O épico de guerra de Christopher Nolan se sobressai pela tensão contínua e imersão absoluta em uma atmosfera para nervos de aço – a histórica retirada desesperada das tropas aliadas encurraladas pelos nazistas em Dunkirk, na França.
          
Considerada a evacuação mais “gloriosa” da história, a operação Dínamo, como ficou conhecida, enfrentava uma situação absolutamente aterrorizante. Acossados pelas tropas alemãs em terra, alvejados constantemente por aviões alemães pelo ar e bombardeados na água, os soldados ingleses e franceses corriam contra o tempo para evacuar cerca de 400 mil soldados pelo Canal da Mancha. O filme traz a história contada justamente em três partes (terra, água e ar), que, embora se desenrolem simultaneamente na tela, trazem perspectivas diferentes de pessoas diferentes e, mais surpreendentemente ainda, em intervalos de tempo diferentes. A luta frenética por sobrevivência de um jovem soldado inglês tentando escapar da fatídica praia dura uma semana, a jornada de um senhor marinheiro amador que acorre em seu iate junto a centenas de outras pequenas embarcações dura um dia, e a eletrizante batalha aérea de oficiais da RAF contra os aviões alemães dura apenas uma hora.
          
Nolan consegue um controle narrativo admirável, orquestrando uma história em três frentes, com tempos diferentes, que se entrecruzam tanto literalmente quanto também nos momentos de clímax e tensão. De fato, há poucas pausas para respirar em todo o filme, que entrega tensão e suspense a todo instante, provocando uma imersão talvez jamais vista em filmes de guerra. Os excelentes efeitos sonoros contribuem muito para este efeito, que dá ao espectador uma pequena amostra da realidade extremamente traumática de uma situação onde a luta pela sobrevivência é constante, indo de um desastre a outro, uma esperança afundada para a próxima. O filme consegue tirar o fôlego, levar às lágrimas e, principalmente, estraçalhar os nervos com uma perspectiva de guerra extremamente próxima da ação.
           
Os personagens em Dunkirk são quase anônimos, o filme não perde tempo com histórias de fundo em um momento onde, nota-se, também não havia tempo para rodeios. Sem se aventurar em diálogos dramáticos sobre a realidade e a injustiça da guerra, Dunkirk nos mostra esses dois aspectos nus e crus, através das adversidades e do desespero, dos descasos com a vida humana cometidos pelos governantes, e com a capacidade humana para a bondade, a bravura e a compaixão em tempos de adversidade, que se mostra gloriosa no filme.
          
A trilha sonora do absoluto mestre Hans Zimmer contribui em muito para aumentar a emoção nas cenas de ação e dá o enlevo emocional aos atos de bravura dos soldados e civis, mas há que se considerar que a trilha sonora, assim como algumas decisões do autor, tenha sido exagerada em alguns pontos. Alguns momentos do filme podem passar uma sensação de que a guerra é divertida e nobre, que é uma atividade enaltecedora da condição humana, uma abordagem no mínimo imatura em filmes desse gênero. Com certeza, não passar esta impressão deveria ter sido uma preocupação constante do diretor, mas Nolan parece ter cedido à tentação de criar momentos que fisgassem o emocional do público. Esses momentos, apesar de cenicamente gloriosos, não condizem com o evidente intento realista do filme, que se nota nas magníficas cenas de ação. Ao mesmo tempo, Nolan parece ter querido iniciar uma espécie de “marca” com uma fotografia e escolha de cores diferentes, mas este recurso parece mais aleatório do que uma inteligente decisão criativa.

           
O filme com certeza será considerado um êxito de Nolan, trazendo um novo vigor às produções do gênero. Com certeza, Dunkirk foi feito para causar profundas e lancinantes emoções nos espectadores, e, nesse intento, não falha.

Crítica feita por Matheus Rodrigues

Obs.: Prefiro não notificar o filme, pois eu não tenho a capacidade de enumerar de 0 a 10 o quão ele pode ser ruim ou não. Prefiro deixar você descobrir. E se por ventura houver erro de português, não deixa de me avisar, sou humano e vou errar! (Essa observação irá em todas as resenhas
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