quarta-feira, 26 de julho de 2017

[Crítica] O filme da minha vida (Brasil, 2017)

O Filme da Minha Vida
Roteiro: Selton Mello 
Direção: Selton Mello
Elenco: Selton Mello, Bruna Lizmeyer, Vincent Cassel, Johnny Massaro
Sinopse
Serras Gaúchas, 1963. O jovem Tony Terranova precisa lidar com a ausência do pai, que deixou a ele e a sua mãe para voltar a viver na França. Professor de francês num colégio da cidade, ele convive com os conflitos dos alunos no início da adolescência e vê o desabrochar de moças como a encantadora Luna.
Apaixonado pelos filmes que vê no cinema da cidade, Tony faz do amor e do cinema suas grandes razões de viver. Até que a verdade sobre seu pai começa a vir à tona e o obriga a tomar as rédeas de sua vida.
Baseado no livro Um Pai de Cinema, do chileno Antonio Skármeta.




Crítica 

Selton Mello dá mais um passo em direção ao panteão do cinema brasileiro com O filme da minha vida, comprovando mais uma vez o imenso e versátil talento do diretor, ator e roteirista. Dirigido por Mello com roteiro do próprio em parceria com Marcelo Vindicato, a obra é inteligentemente concebida em todos os aspectos, causando uma profunda impressão de nostalgia e pura e simples beleza.

O filme acompanha o jovem Tony (Johnny Massaro), em 1963, ao voltar para a pequena cidade de Remanso depois de formar-se como professor, apenas para descobrir que o pai francês Nicolas (Vincent Cassel) partia para a França, abandonando um filho sensível e dedicado junto à sua mãe (Ondina Clais Castilho) resignada e melancólica. Enquanto ensina francês no colégio da cidade, o jovem Tony lida com o abandono do pai ao mesmo tempo de seus próprios dilemas e interesses: a relação de irmão mais velho com seus alunos, a delicada interação com sua mãe enquanto tenta um escape para desabafar suas dúvidas sobre o pai. O escape vem na figura de Paco (Selton Melo), rústico amigo de seu pai que assume uma figura paterna para Tony. O interesse amoroso é a bela, singela e cativante Luna (Bruna Linzmeyer), por quem Tony sente muita ternura, mas não consegue resistir ao estonteante magnetismo sexual de Petra (Bia Arantes), a misteriosa irmã mais velha de Luna. Enquanto lida com todas essas situações, Tony lembra e sente falta da figura de seu pai, cujo destino estará intrincado com o seu próprio de uma forma surpreendente.

Fotografado brilhantemente por Walter Carvalho, o filme capta o bucolismo e a tranquilidade do sul, suas serras e araucárias, em uma atmosfera etérea que causa uma impressão quase mágica no espectador. Os personagens, assim como o cenário, passam uma sensação de tranquilidade e vida cândida interiorana. As belíssimas paisagens, em vez de contrastarem com a melancolia de Tony, a acolhem com resignação milenar tornando toda a atmosfera harmônica.

Houve claramente sucesso no desenvolvimento dos personagens de forma sutil, o que dá a impressão de conhecê-los mesmo pouco tendo sido explicado sobre sua vida e características. A empatia vem por suas expressões, palavras de cumplicidade e, sobretudo, olhares. A trama principal do filme vai se mostrando através de olhares e reações descuidadas, preparando o espectador pra o derradeiro e inevitável – mas não previsível – cair do pano.

As tentativas do filme em relação ao humor são pouco sutis e um tanto rústicas, mas acabam se encaixando na atmosfera de candura e inocência que vai aos poucos revelando novas luzes à medida que Tony sofre decepções e passa por experiências. A participação do conhecido e amado Rolando Boldrin é preciosa e explorada de maneira extremamente poética. Também faz uma aparição no filme o autor do livro no qual o filme é baseado, o chileno Antonio Skármeta.

Seja pela belíssima fotografia, trilha sonora que não falha em tornar cenas emocionantes, atuações precisas de Mello e Cassel, o mero sentimento de nostalgia subliminar ou uma combinação de tudo isso, O filme da minha vida é uma experiência que dificilmente deixará alguém arrependido de ter ido ao cinema.

Crítica feita por Matheus Rodrigues

Obs.: Prefiro não notificar o filme, pois eu não tenho a capacidade de enumerar de 0 a 10 o quão ele pode ser ruim ou não. Prefiro deixar você descobrir. E se por ventura houver erro de português, não deixa de me avisar, sou humano e vou errar! (Essa observação irá em todas as resenhas
Share:

0 comentários:

Postar um comentário

Sobre Nós

Sobre Higor e Juliana: Casal geek, cinéfilos, leitores compulsivos. Amantes de um bom seriado e perdidamente apaixonados pelo mundo da literatura.