sexta-feira, 28 de julho de 2017

[Crítica] Planeta dos Macacos - A Guerra (War for the Planet of the Apes - UK/New Zeland/Canada, 2017)

Planeta dos Macados - A Guerra / War For The Planet Of  The Apes

Direção: Matt  Reeves
Roteiro: Mark Bomback
Elenco: Andy Serkis, Woody Harrelson, Steve Zahn

Sinopse

Humanos e macacos cruzam os caminhos novamente. César e seu grupo são forçados a entrar em uma guerra contra um exército de soldados liderados por um impiedoso coronel. Depois que vários macacos perdem suas vidas no conflito, César luta contra seus instintos e parte em busca de vingança. Dessa jornada, o futuro do planeta poderá estar em jogo.





Crítica

Hollywood acha um espacinho para um pouco de profundidade no último capítulo de uma trilogia que, agora podemos dizer, se manteve sólida. Com os dois filmes anteriores prezando pela robustez do roteiro e boa reflexão em vez de meras desculpas para cenas de ação exageradas, War for the planet of the apes mostra que soube tomar as escolhas certas para fechar a trilogia sem deixar muito gosto amargo na boca de ninguém.

O filme encontra uma guerra a todo vapor entre os símios liderados por César (Andy Serkis) e os humanos sobreviventes, representados por um batalhão comandado pelo draconiano e megalomaníaco Coronel (Woody Harrelson). Em uma batalha pelo futuro, humanos e símios são motivados pelo medo na maioria de suas escolhas. Após perdas devastadoras, César e um grupo de companheiros partem em uma jornada por vingança, que acabará por revelar frutos muito além do imaginado, incluindo tragédias, desespero, amizade e uma nova esperança.

Planeta dos macacos sempre foi um prato cheio para uma boa reflexão, trazendo em uma premissa bastante interessante problemáticas ainda muito atuais na sociedade. A nova trilogia fez muito bem em reconhecer o potencial filosófico da história em mãos e apresenta-lo de forma palatável para as novas audiências – e o novo filme não é exceção. O resultado é um filme emocionante bem longe de uma simples briga entre humanos e macacos.

O personagem César, muito bem construído nos filmes anteriores, retorna como um líder adorado, mas atormentado por fantasmas de acontecimentos passados. É muito bem explorada a fixação de César com o antigo amigo/inimigo Koba e sua tendência em se comparar com o mesmo frente ao sofrimento impingido pelos humanos. A dor de César comove e emociona, e sua relação com seus companheiros, agora também bem conhecidos pelo espectador, é profunda e simbólica. Vemos os conflitos interiores de César, dividido entre o ódio pelas perdas sofridas e a misericórdia e a compaixão que ele ainda acredita serem caminhos para a paz. O conflito de César e o seu próprio ódio (representado pela figura de Koba, um agouro) é o tema principal do filme.

O filme conta com boas cenas de ação, apesar de não cometer erros de roteiro para consegui-las (um grande alívio!) e não entrar em contradição com os filmes anteriores (outro maior ainda). Alguns pequenos incômodos típicos de Hollywood dão um sentimento de “sério?”, mas não chegam a manchar a produção.

Interessante no filme é o paralelo traçado com o absoluto clássico de guerra Apocalypse Now (Francis Ford Coppola, 1979). Uma das cenas chega a mostrar o trocadilho Ape-pocalypse Now, pichado numa parede. Mas não para por aí. Os roteiristas certamente perceberam a forte semelhança, intencional ou não, entre o icônico Coronel Walter E. Kurtz, personagem de Marlon Brando em Apocalypse Now, e o Coronel interpretado (muito eficientemente) por Woody Harrelson.  Os dois são comandantes extremamente respeitados por seus batalhões que depois de experiências traumáticas sucumbem à loucura e cometem atrocidades em nome de um ideal doentio, sendo condenados pelo próprio exército. 
A própria careca do Coronel (o vemos raspando-a em uma das cenas) pode ser uma referência. De fato, em alguns dos diálogos tem-se a impressão de que Woody estaria imitando veladamente a atuação de Marlon Brando. Será?

Crítica feita por Matheus Rodrigues

Obs.: Prefiro não notificar o filme, pois eu não tenho a capacidade de enumerar de 0 a 10 o quão ele pode ser ruim ou não. Prefiro deixar você descobrir. E se por ventura houver erro de português, não deixa de me avisar, sou humano e vou errar! (Essa observação irá em todas as resenhas                
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