terça-feira, 1 de agosto de 2017

Crítica | O Estranho que Nós Amamos (The Beguiled, USA, 2017)

O Estranho que Nós Amamos - The Beguiled
Direção: Sofia Coppola
Elenco: Colin Farrell, Nicole Kidman, Kirsten Dunst mais
Gêneros Suspense, Drama
Sinopse
Virginia, 1864, três anos após o início da Guerra Civil. John McBurney (Colin Farrell) é um cabo da União que, ferido em combate, é encontrado em um bosque pela jovem Amy (Oona Laurence). Ela o leva para a casa onde mora, um internato de mulheres gerenciado por Martha Farnsworth (Nicole Kidman). Lá, elas decidem cuidá-lo para que, após se recuperar, seja entregue às autoridades. Só que, aos poucos, cada uma delas demonstra interesses e desejos pelo homem da casa, especialmente Edwina (Kirsten Dunst) e Alicia (Elle Fanning).




Crítica 

O novo longa de Sofia Coppola funciona bem como uma refilmagem do original de 1971 com Clint Eastwood – isso se o que se espere seja apenas tornar um filme politicamente correto. Nesse intuito, o longa foi feliz. Mas a falta de ousadia com certeza impedirá o filme de ser citado entre os melhores da diretora.
                
Em meio à guerra civil americana, o soldado ferido John McBurney (Collin Farrel) é resgatado pelas mulheres de um internato para moças onde, além da diretora Martha Farnsworth (Nicole Kidman) e da professora Edwina (Kirsten Dunst), só restaram quatro alunas, entre elas a bela e insatisfeita Alicia (Elle Fanning). A chegada de um homem atraente e do exército inimigo causa um tremendo impacto na vida pacata da casa antes habitada somente por mulheres.
                
O filme versa principalmente sobre a tensão sexual entre as moças e o soldado, agravada pela condição abstêmia e entediante do internato e pelo estilo smooth talker do personagem de Colin Farrel (muito embora seja muito mais contido do que o machão Clint Eastwood). Obviamente, a competição entre as moças atinge níveis gritantes. Toda a história é contada em um belo tom mórbido, que combina muito com o visual de época e a singela fotografia. A trilha sonora é composta principalmente pelo trinar constante de pássaros, que passam uma impressão bucólica durante as cenas diurnas, em contraste com o clima tenso das noites.
                A história, sendo simples, não permitiria excessos de direção por parte da diretora, que foi justamente no sentido contrário e deixou o filme mais simples possível. Essa decisão, provavelmente a mais ousada na produção, talvez tenha contribuído para uma notável monotonia no filme. Os diálogos e intrigas não conseguem, seja visualmente ou psicologicamente, quebrar essa morosidade que só não é fatal por causa da crise apresentada no final do filme.

Os personagens são apresentados de forma competente, mas não brilhante – competente, mas não brilhante talvez seja a melhor definição em uma frase para o filme. Com o tempo bem dividido entre os personagens, sobrou pouco espaço para boas atuações e para que alguns dos personagens causasse uma impressão forte. As atuações não erram, mas parecem apagadas, com a possível exceção de Kirsten Dunst. Nenhum dos personagens consegue causar um forte impacto no filme, sendo que a força da personagem de Nicole Kidman é algo que se imagina, mas pouco se vê.
                
Com certeza o filme acertou em muitas questões técnicas, mas falhou na hora de proporcionar uma experiência emocionante ou intelectualmente produtiva. A preocupação com o politicamente correto é compreensível, mas falar em tais termos sobre a época da guerra civil parece covarde e hipócrita.


Crítica feita por Matheus Rodrigues


Obs.: Prefiro não notificar o filme, pois eu não tenho a capacidade de enumerar de 0 a 10 o quão ele pode ser ruim ou não. Prefiro deixar você descobrir. E se por ventura houver erro de português, não deixa de me avisar, sou humano e vou errar! (Essa observação irá em todas as resenhas
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