terça-feira, 8 de agosto de 2017

[Crítica] Valerian - E a cidade dos mil planetas

Valerian e a cidade dos mil planetas

Direção: Luc Besson
Elenco: Dene Deehan, Cara Delevingne, Clive Owen, Rihanna...

Sinopse

Valérian é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline, por quem é apaixonado, em defesa da Terra e seus planetas aliados, continuamente atacados por bandidos intergaláticos. Quando chegam no planeta Alpha, eles precisarão acabar com uma operação comandada por grandes forças que deseja destruir os sonhos e as vidas dos dezessete milhões de habitantes do planeta.







Ninguém pode negar que o cinema é uma imensa janela para horizontes distantes. Pode até parecer baboseira começar o texto de tal forma, mas já se deu conta da quantidade de coisas que você descobriu graças ao cinema?  Atores, atrizes, diretores, roteiristas e obras originais em quais os roteiros por vezes são embasadas, são muitos mundos e tempos descobertos. E bem, Valerian tem tudo a ver com isso!

Publicado pela primeira vez em 1967, Valérian, Agente Espaço-Temporal - mais tarde republicado como Valérian e Laureline - é uma obra em quadrinhos Franco-Belga de ficção científica criado por Pierre Christin e desenhada por Jean-Claude Mézières. Mesmo com  50 anos de publicação a série Valérian e Laureline é segue como uma das obras mais influentes mundialmente, tendo mais de 2.500.000 cópias vendidas, e influenciado conceitos, histórias e design de personagens e criaturas em diversas obras como Star Wars e O Quinto Elemento, de Luc Besson, também responsável por essa adaptação que chega aos cinemas.

Na trama do longa, Valérian é um agente viajante do tempo e do espaço que luta ao lado da parceira Laureline, em defesa da Terra e seus planetas aliados. Em meio a uma dessas missões os agentes são encaminhados até a Estação Planetária Alpha, lar de dezessete milhões habitantes entre humanos e alienígenas de várias espécies. Lá estando irão se deparar e se envolver com uma questão de enorme perigo que pode destruir toda Alpha. Mas em um lugar onde tudo é estranho, nada é o que parece...
Nem mesmo o próprio projeto de Besson.

Por maior que tenha sido a paixão que o motivou a adaptar a obra em quadrinho de sua juventude, e por mais que o filme tenha uma qualidade técnica visual evidente, Valérian e a Cidade dos Mil Planetas justifica a divisão de opiniões entre a crítica internacional. O filme é divertido e possui diversos acertos, contudo esses pontos estão mesclados ao roteiro simplório e por vezes confuso da trama. A ação é bem executada, e o clima da trama é ágil, mas em diversos momentos tramas episódicas e cíclicas são inseridas na trama, desviando o foco da missão principal. Personagens são unidos e separados mais de uma vez, e a missão principal é fracionada em pequenas missões de resgate pouco relacionadas com o arco central e que poderiam ser retiradas no corte final e não alterariam o resultado final. O mais esquisito é que esses arcos trazem personagens interessantes, como Bubbles interpretado por Rihanna, e que mereciam arcos maiores do que as rápidas participações.

A dupla de protagonistas não convence fácil como os importantes agentes que representam: parte disso se deve a aparência jovem dos atores, parte a atuação ruim dos atores e outra parte a direção e roteiro. Besson não tenta fazer deste um filme de origem, trazendo aqui personagens já estabelecidos dentro daquele cenário, mas Dene Deehan e Cara Delevingne não transmitem muito bem essa experiência sensação. Além deste fato, falta química entre eles. Embora os personagens tenham lapsos de carisma por conta de sua canastrice assumida, a construção afugenta a todo momento nossa proximidade com eles.

Já o universo que compõe background do longa e a maneira como é organizado, são pontos positivos da obra. Tudo aquilo parece fantástico e cativante a ponto de você querer ver mais e mais. Ainda por cima tratando-se daquele que talvez seja o ponto mais forte de Valérian e a Cidade dos Mil Planetas. Os milhões que fazem deste o filme mais caro da história do cinema francês são muito bem empregados em uma das obras mais visualmente belas que já vi. 

Ao passo em que deixa a desejar na produção do roteiro, Luc Besson mostra sua marca registrada e seu colorido da ficção científica destacados na construção de mundo da obra, com seus alienígenas, planetas, viagens dimensionais, perseguição de naves, etc. O diretor libera na narrativa visual sua inventividade com jogos de câmera e outros truques estéticos aquilo que falta de complexidade na trama.

Valerian é um espetáculo visual de primeira em meio atuações fracas e roteiro simples. É divertido, arrancou alguns risos com umas piadinhas, a ação é boa, mas o protagonista é tão fraco que Cara (Caramba Cara Caraô) Delevingne consegue ser mais carismática. Mas não no fim das contas ele não é um filme ruim, apenas não empolga tanto quando deveria. É filme bacana que poderia ser melhor! Contudo, fiquei interessado em ver os quadrinhos originais e a novelização do roteiro, para ver o que Valérian tem a oferecer.

Crítica feita pelo Capitão Ace Barros do  Multiverso X

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